CREATIVE STAR – KAROLINE VITTO GOMES

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Faltam poucas semanas para a visita de David Kappo, diretor do Graduate Fashion Diploma, da Central Saint Martins, ao Brasil. Ele vem a São Paulo ministrar um Workshop especial para alunos brasileiros.

Por isso, teremos mais um Creative Star esse mês:  a Karoline Vitto Gomes. Ela acaba de concluir o curso ministrado por David Kappo, na CSM, com Distinction – o grau mais alto que um aluno pode receber.

Confira abaixo nossa conversa com a Karoline e suas dicas para quem quer seguir os mesmos passos:

Language Partners  – O que levou você a querer estudar na Central Saint Martins? Como conheceu a universidade?

Karoline – Conheci a CSM alguns anos atrás, já estava cursando moda em Florianópolis, na UDESC, e logo no início do curso pesquisei quais eram as melhores universidades do mundo para a minha área e como eram seus processos seletivos. Na época, estudar fora não era uma opção concreta, mas eu tinha um plano um pouco distante de fazer uma pós ou especialização fora.

Após ter me formado no bacharelado, não tinha muita certeza sobre qual carreira seguir, dentro da moda ou fora dela. Estava trabalhando como designer gráfico, havia feito cursos de empreendedorismo criativo e confesso que estava um pouco perdida. Acabei conhecendo por acaso uma ex aluna do Graduate Diploma da CSM, a Renata Estefan, e após algumas conversas com ela fiquei convencida a aplicar para o mesmo curso que ela havia feito, pois parecia a opção ideal para continuar minha educação no momento.

Language Partners – Como foi o processo seletivo para o curso?

Karoline – Para ser aprovado para o Graduate Diploma você deve ter concluído um bacharelado em moda e ter todas as habilidades que isso implica: desde pesquisa e design development a saber costurar e fazer modelagem. Meu BA do Brasil foi muito completo nesse sentido, saí da UDESC com uma base muito boa de modelagem e costura que foram essenciais para o trabalho que eu acabei desenvolvendo mais tarde.

Porém, acredito que o principal ponto seja ter uma identidade própria e saber desenvolver muito bem o seu processo, seja ele mais focado em trabalho no manequim ou desenho.  É necessário multiplicar as ideias em grande quantidade e depois saber refiná-las e transformá-las em design. Isso tudo refletindo muito bem a sua pesquisa e o que você quer dizer com ela.

Um bom portfolio é essencial. Nesse caso não se trata só de algo bonito ou decorado, longe disso: um portfolio bem feito deve contar a história e o processo do seu trabalho sem que você esteja lá para explicá-lo, isso é o principal.

Language Partners – Como foi ser aluna do David Kappo?

Karoline – O David tem uma capacidade incrível de extrair de dentro dos alunos aquilo que eles nem sabiam que estava lá. É incrível. Ele faz com que a gente descubra sozinho aquilo que nos move e que faz sentido para nós, tanto como pessoas quanto como designers. Ele vê algo em você e incentiva aquilo a brotar e florescer, é um grande professor. Muito exigente também, e deve o ser, pois os planos dos alunos são grandes: vagas de mestrado nas melhores universidades do mundo, empregos em Paris, etc.

Language Partners – Que dica sobre o processo e o curso você daria para um estudante que esteja pensando em seguir o mesmo caminho?

Karoline – Nesse ano minha maior lição foi aprender que você deve mesmo fazer aquilo que você gosta e agradar a si mesmo em primeiro lugar. Essa é a principal dica que eu poderia dar para qualquer aluno. É muito comum os tutores terem opiniões bem divergentes entre si e tentarem te guiar para caminhos opostos. Se você tentar agradar a todos eles, vai acabar confuso e frustrado e não vai agradar a ninguém. O pior de tudo, porém, é tentar adequar seu trabalho a uma universidade ou empregador específico que não tem nada a ver com você. Você deve, sim, ouvir os tutores o máximo que puder, e realmente tentar seguir o que eles sugerem, mas no final quem decide é você. Você é o diretor do seu próprio projeto e quem vai levar aquele portfólio a entrevistas e dar a cara a tapa é você e mais ninguém. E é muito difícil defender um trabalho com o qual você não se identifica, ainda mais em uma língua que não é a sua.

Além disso, crie o hábito de constantemente olhar para si mesmo, os seus gostos, o ambiente que te circunda, o que te atrai, como você se veste. A maior parte das respostas está aí.

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Language Partners – Você poderia nos contar um pouco mais sobre o seu trabalho final, que ganhou distinction?

Karoline – Meu trabalho final partiu de uma conversa que tive com a minha irmã sobre corpo e auto-estima feminina. O fato é que todas as mulheres que conheço em algum momento ou outro já fizeram algum comentário autodepreciativo sobre seus corpos e eu queria mostrar que corpos humanos tem gorduras e são normais e lindos de qualquer forma e com todas as suas curvas.

Então para celebrar essas curvas, que são absolutamente normais e que eu particularmente acho interessantes e atraentes, pedi que uma amiga me fotografasse em diversas posições que enfatizassem as minhas próprias curvas e dobras, as quais provavelmente as revistas femininas diriam pra eu disfarçar ou esconder! O resultado foram diversas fotografias de curvas, gorduras e linhas que eu utilizei para desenvolver a minha coleção, com formas super justas de onde saem esses volumes localizados em áreas específicas, para celebrar as formas corporais que tanto amo.

Language Partners – Quais são seus planos para o futuro?

Karoline – Passei para o mestrado da Royal College of Art e começo agora em Outubro. Estou animada mas também com um pouco de medo pois a responsabilidade é maior, a exposição é maior e o tempo num mestrado desse porte é precioso. Mas é um medo bom, estou animada pelas oportunidades e possibilidades que vão surgir lá e que eu sei que não seriam possíveis em outras universidades. Para depois do MA eu ainda não tenho certeza, mas adoraria voltar ao Brasil periodicamente para transmitir para outros alunos tudo o que venho aprendendo aqui. Já tive uma experiência em educação e sinto que encontrei algo de que realmente gosto e que me deixa feliz, portanto pretendo seguir como tutora de moda no futuro de alguma forma.

Para quem quiser conferir um pouco mais sobre o trabalho da Karoline, visite: www.karolinevittogomes.com

CREATIVE STAR – VITORIA BAS

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A nossa Creative Star deste mês é a Vitoria Bas. Ela acaba de se graduar no  BA (Hons) Graphic Communication Design da Central Saint Martins. O curso é voltado para estudantes que desejam se aprofundar nas técnicas de Comunicação Gráfica. Vitoria conta mais sobre a experiência para nós:

Language Partners: O que levou você a querer estudar na Central Saint Martins? Como conheceu a universidade?

Vitoria Bas: Conheci em uma feira de intercâmbio. A gente conversou com o pessoal da Language Partners e eu me interessei pelo processo de seleção. Eu sempre achei o processo de vestibular muito frustrante e cansativo – a gente passa o Ensino Médio inteiro estudando coisas complexas demais para o Ensino Fundamental, mas rasas demais para o Ensino Superior, para fazer uma prova completamente ultrapassada e esquecer tudo depois.

Language Partners: Como foi o processo seletivo para o BA (Hons) Graphic  Communication Design?

Vitoria Bas: Eu fiz o Foundation Diagnostic, que é o curso pra ajudar a decidir qual direção você vai tomar. Então eu tentei um pouco de tudo mas já sabia que ia ser Graphic Design no final.

Language Partners: que dica sobre o processo e o curso você daria para um estudante que esteja pensando em seguir o mesmo caminho?

 

Vitoria Bas: Pra se acostumar a registrar tudo o que faz e ter sempre um sketchbook na mochila, porque na CSM é tudo processo, processo, processo.

Language Partners: Seu trabalho final foi um Stop Motion com letras de músicas folclóricas do Brasil, certo?  Você poderia nos contar um pouco mais sobre a inspiração e o desenvolvimento?
Vitoria Bas: Foi uma animação pra uma música específica, o Romance de Uma Caveira, de Alvarenga e Ranchinho. Meu avô costumava cantar essa música e na época eu não ligava, mas depois que escutei de novo percebi que era muito engraçada. Eu trabalhei junto com uma amiga que também tem interesse em animação e como eram as últimas semanas do semestre, a gente teve que tomar decisões muito rápido e trabalhar muito rápido. A música conta uma história, então a gente já tinha uma estrutura firme pra começar. Foi o último projeto que a gente fez. A gente só queria se divertir.